Blog Restauração

Site de restaurante: menu, alergénios e reservas

A ementa em texto e não em PDF, os alergénios como a lei os pede, reservas sem comissão e o horário igual ao do Google: o que o site de um restaurante precisa.

Quem abre o site de um restaurante quer saber quatro coisas, quase sempre ao telemóvel e muitas vezes já a caminho: o que há para comer, quanto custa, se está aberto e como se reserva. Um site de restaurante bom responde a essas quatro em menos de um minuto. O resto, a história da casa, a galeria, o vídeo da cozinha, vem depois, para quem já decidiu ficar.

O que tem de estar no site de um restaurante

Antes do desenho e das fotografias, a lista do que não pode faltar:

  • A ementa, legível no telemóvel, com preços.
  • O horário, incluindo o dia de folga e o fecho para férias.
  • A morada, com uma ligação para o mapa, e onde estacionar se não for óbvio.
  • O telefone, que se marca com um toque.
  • Como reservar, ou que não se reserva.
  • A informação sobre alergénios, ou como a obter.
  • Se faz takeaway ou entregas, como se encomenda.

Se o seu site tem tudo isto na primeira página ou a um toque dela, o essencial está feito. Se lhe falta metade, é por aí que começa, antes de pensar em desenho.

A ementa: texto, não PDF nem fotografia

A ementa em PDF é a solução mais comum e a pior das três. No telemóvel abre noutro ecrã, obriga a ampliar e a arrastar para ler, e quase nunca está atualizada, porque mudá-la implica refazer o ficheiro. A fotografia do quadro de ardósia tem os mesmos problemas, e ainda o de ser ilegível com sol.

  • Assim a ementa escrita na página, prato a prato, com o preço ao lado e uma linha a dizer a data em que foi atualizada.
  • Não assim um botão «Ver menu» que descarrega um PDF de 8 MB com o logótipo em cima e os preços do ano passado.

A ementa em texto também é lida pelo Google, que passa a saber que serve arroz de pato ou francesinhas, e pode mostrar o restaurante a quem procura isso. Um PDF ou uma fotografia dizem-lhe muito menos.

E não precisa de estar completa para ser útil. Muitos restaurantes têm uma carta fixa e pratos do dia. A carta vai para o site; os pratos do dia podem ir numa secção curta com a data, ou ficar de fora com uma frase honesta: «todos os dias há dois pratos do dia, que anunciamos no Instagram». Pior do que não ter os pratos do dia é ter os da semana passada.

Fizemos uma demonstração à volta desta ideia, para um restaurante fictício em Kent: no Harker’s Table a ementa é a própria página, com data, com o que mudou de manhã marcado, e um prato riscado porque acabou.

Alergénios: o que a lei pede

Em Portugal, o Decreto-Lei n.º 26/2016 aplica o regulamento europeu sobre informação dos alimentos aos produtos que não vêm embalados, e isso inclui tudo o que um restaurante serve. O artigo 4.º obriga os restaurantes a indicar as substâncias que provocam alergias ou intolerâncias e diz que essa informação tem de estar disponível num suporte que o cliente consiga perceber sem dificuldade. Na prática, uma ementa com os alergénios, um dossiê ou um quadro na sala.

As substâncias são as 14 do anexo II do Regulamento (UE) n.º 1169/2011:

  • Cereais que contêm glúten
  • Crustáceos
  • Ovos
  • Peixes
  • Amendoins
  • Soja
  • Leite
  • Frutos de casca rija
  • Aipo
  • Mostarda
  • Sementes de sésamo
  • Dióxido de enxofre e sulfitos, acima de 10 mg/kg ou 10 mg/l
  • Tremoço
  • Moluscos

Para quem come na sala, a lei não obriga a pôr os alergénios no site. Mas é uma das perguntas que as pessoas com alergias fazem antes de escolher onde ir, e quem não encontra a resposta escolhe outro sítio. Uma tabela com os pratos nas linhas e os alergénios nas colunas, ou uma lista curta por baixo de cada prato, chega.

Se vende pelo seu site para levar ou para entregar, os alergénios deixam de ser opcionais no site. O artigo 8.º do mesmo decreto-lei, sobre a venda à distância, pede que a informação sobre alergénios seja dada antes de a compra ser concluída, no próprio meio de venda ou indicando de forma destacada como obtê-la, e que volte a constar no momento da entrega, nos documentos que acompanham a encomenda ou numa etiqueta. A fiscalização é da ASAE, e o incumprimento é contraordenação.

Uma nota prática: a frase «pode conter vestígios de» é um aviso voluntário e não substitui a indicação dos alergénios que o prato leva.

Os preços: com IVA, como na sala

A lei portuguesa sobre indicação de preços, o Decreto-Lei n.º 138/90, pede que o preço mostrado ao consumidor inclua os impostos, para que ele saiba o que vai pagar. Na ementa do site vale a mesma lógica: o preço que está escrito é o preço que se paga.

Se cobra couvert, diga o que é e quanto custa ao lado da ementa, e não só na conta. Se o preço de um prato depende do peso, como o peixe ao quilo, escreva o preço por quilo. São estas as discrepâncias que acabam em avaliações de uma estrela.

Reservas: telefone, formulário ou módulo de reservas

Não há uma resposta certa para todos, mas há uma errada: esconder a forma de reservar numa página de contactos.

  • Telefone Funciona para restaurantes pequenos em que alguém atende sempre. O botão tem de marcar o número com um toque, e o horário em que se atende deve estar escrito.
  • Formulário no site Dia, hora, número de pessoas, nome, telefone e um campo para alergias. A reserva só fica feita quando confirma, por isso diga em quanto tempo responde.
  • Módulo de reservas Um sistema como o do TheFork, embutido no site, mostra a disponibilidade e confirma no momento. Segundo o próprio TheFork Manager, as reservas feitas pelo módulo no seu site não pagam comissão.

Escrevemos sobre as contas das comissões em reservas diretas: como pagar menos comissões. Seja qual for o método, o formulário só deve pedir o que precisa para a reserva, e a política de privacidade tem de explicar o que faz com esses dados. O que isso implica está em RGPD no site.

Se tem problemas com mesas reservadas que ficam vazias, as condições de cancelamento devem estar escritas antes de a pessoa reservar. A demonstração que fizemos para um restaurante fictício de Lisboa, o Meridian, diz no próprio formulário até quando se cancela sem custos e quanto se cobra se ninguém aparecer.

O horário, e o Google

O horário do site, o do Perfil de Empresa no Google e o da porta têm de ser o mesmo. Quando não são, o cliente acredita no Google, chega, e encontra a porta fechada.

O Perfil de Empresa de um restaurante tem campos que valem a pena usar. Segundo a ajuda do Google, pode acrescentar uma ligação para a ementa e ligações para reservas e para encomendas. A ligação da ementa deve apontar para a página da ementa no seu site. A de reservas deve apontar para onde quer que as pessoas reservem, e não para onde a reserva lhe custa comissão, se puder evitar.

Os horários especiais, feriados e férias, também se definem no perfil. Use-os em vez de mudar o horário normal e esquecer-se de o repor. Como criar e validar o perfil está em como aparecer no Google Maps.

Fotografias que ajudam a decidir

Uma fotografia da sala ajuda a decidir se é um sítio para um jantar de aniversário ou para um almoço rápido. Uma da fachada ajuda a encontrar a porta. Duas ou três dos pratos que mais saem ajudam a escolher. Mais do que isto, só se forem boas.

As que fazem mais mal do que bem são as fotografias de banco de imagens, que mostram pratos que o restaurante não serve, e as fotografias com tanta edição que o prato na mesa parece outro. Fotografias reais, com luz de dia junto à janela, tiradas com um telemóvel recente, são melhores do que ambas.

Takeaway e encomendas pelo site

Se aceita encomendas, há duas formas de o fazer pelo site: uma ligação para a plataforma de entregas que já usa, ou encomendas diretas, pagas no site e levantadas no restaurante. A segunda evita a comissão da plataforma, mas traz consigo as obrigações da venda à distância descritas acima, e um sistema de pagamento. As opções e o que cada uma custa estão em MB WAY, Multibanco e o seu site.

Se tem estabelecimento aberto ao público, o livro de reclamações eletrónico também lhe diz respeito, e é outra peça que costuma acabar no rodapé do site.

Se já tem um site e quer saber o que mudaríamos primeiro, mande-nos o endereço. Respondemos por escrito com três coisas, quase sempre a começar pela ementa.

Pedir a análise gratuita

Para ver outros sites de restauração que fizemos como demonstração, veja os trabalhos. Sobre o que custa um site, leia quanto custa um site em 2026, e sobre as comissões das plataformas de reservas, reservas diretas.

Fontes oficiais

Os textos oficiais por trás dos pontos acima: