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Reservas diretas: como pagar menos comissões

Quanto fica na Airbnb, no Booking e no TheFork de cada reserva, o que a lei europeia mudou, e as contas de quantas reservas diretas pagam um site.

Cada reserva que chega pela Airbnb, pelo Booking ou pelo TheFork deixa uma parte na plataforma. Não é um roubo: é o preço de ser encontrado por quem nunca tinha ouvido falar de si. Mas uma parte dessas reservas viria na mesma, e é sobre essa parte que vale a pena fazer contas. Este artigo faz-as, para um alojamento local e para um restaurante, com os valores publicados em outubro de 2026.

Quanto fica na plataforma, em outubro de 2026

Airbnb. A página de taxas de serviço da Airbnb descreve duas modalidades. Na taxa dividida, o anfitrião paga normalmente 3% e o hóspede paga entre 14,1% e 16,5% por cima. Na taxa única, o anfitrião paga tudo, a maioria 15,5%, descontado do pagamento. A Airbnb diz que a taxa dividida está a ser eliminada, que a taxa única é obrigatória para a maioria dos anfitriões e que, depois de mudar, não se volta atrás. Para fazer contas daqui para a frente, use 15,5%.

Booking.com. Não há uma percentagem pública única. A comissão depende do país, do tipo de alojamento e do contrato, e está no seu extranet. Use a sua, não a de um artigo. Se usa os pagamentos geridos pelo Booking, acrescente o que esse serviço lhe cobra.

TheFork. A página de preços do TheFork Manager não publica valores. Diz que as comissões são calculadas a partir do preço médio de uma refeição, prato principal e sobremesa, e que as reservas que chegam pelo seu site e pelas redes sociais, através do módulo de reservas deles, são isentas de comissão. É a frase mais importante deste artigo para um restaurante, e voltamos a ela.

Pode vender mais barato no seu site?

Pode, no caso do Booking, e por lei. Em maio de 2024 a Comissão Europeia designou o Booking como gatekeeper ao abrigo do Regulamento dos Mercados Digitais, com obrigações em vigor desde novembro desse ano. Uma dessas obrigações é a proibição das cláusulas de paridade: o Booking não pode impedir um alojamento de oferecer preços ou condições diferentes noutros canais, incluindo o próprio site, nem tomar medidas que restrinjam essa liberdade.

Numa nota publicada a 28 de setembro de 2026, a Comissão acrescenta que o Booking deixou de olhar para os preços externos para decidir a elegibilidade para programas de destaque, e que as comparações de preços mostradas no extranet passaram a ser só informativas.

Isto não obriga ninguém a baixar preços. Dá-lhe uma ferramenta que não tinha: um preço direto um pouco abaixo do da plataforma, que continua a deixar-lhe mais dinheiro no bolso do que a reserva pela plataforma.

As contas de um apartamento

Um exemplo com números redondos. Um T1 de alojamento local vende 120 noites por ano a uma média de 85 €, todas pela Airbnb, com a taxa única de 15,5%.

Pela plataforma Direta, com 5% de desconto
Estadia de 3 noites 255,00 € 242,25 €
Comissão ou custo do pagamento 39,53 € 2,17 €
Fica consigo 215,47 € 240,08 €

O custo da reserva direta é o de receber por MB WAY através da ifthenpay, que publica 0,07 € mais 0,7% por pagamento, a que acresce IVA. Por cartão, a Stripe publica 1,5% mais 0,25 € para cartões europeus normais, o que nesta estadia dá 3,88 €. Em qualquer dos casos, o hóspede paga menos e o alojamento recebe quase mais 25 € por estadia.

Se 24 das 120 noites, uma em cada cinco, passassem a ser diretas, seriam oito estadias e perto de 200 € por ano a mais, depois do desconto dado ao hóspede. Sem desconto, perto de 300 €.

A fórmula para decidir. Divida o custo anual do site pelo que poupa em cada noite direta. Com 85 € por noite e 15,5% de comissão, cada noite direta poupa cerca de 13 €. Um site que custe 300 € por ano empata com 23 noites diretas; um que custe 900 € precisa de 69. Se não acredita que chega a esse número, o site pode justificar-se por outras razões, mas não por esta.

De onde vêm as reservas diretas

Não vêm dos hóspedes da Airbnb. A política da Airbnb sobre transações fora da plataforma proíbe pedir ou encorajar os hóspedes a fazer reservas atuais, futuras ou recorrentes fora da Airbnb, incluir ligações para fora nas mensagens ou no anúncio, propor descontos para reservar fora, e usar os contactos dos hóspedes para marketing. As infrações repetidas podem levar à suspensão do anúncio ou da conta.

Não ponha um cartão no quarto a dizer «da próxima vez reserve connosco e poupe». Com hóspedes que vieram pela Airbnb, é exatamente o que a política proíbe, e o anúncio vale mais do que as reservas que esse cartão traria.

As reservas diretas chegam por outros caminhos, e todos dependem de o seu nome ser encontrado:

  • Pessoas que viram o alojamento numa plataforma e procuram o nome no Google antes de reservar.
  • O Perfil de Empresa no Google, com a ligação para o site. Sobre isso, veja SEO local e as pesquisas «perto de mim».
  • Hóspedes que reservaram diretamente da primeira vez e voltam.
  • Recomendações de amigos, empresas da zona, organizadores de eventos.
  • O Instagram, quando aponta para o site e não para a plataforma.

Se alguém procurar o nome do alojamento e só encontrar o anúncio da plataforma, a reserva vai para a plataforma. O site existe para que, nesse momento, haja uma alternativa com o mesmo quarto e um preço igual ou melhor.

O que o site precisa para aceitar uma reserva

Um formulário que diz «envie-nos as datas e respondemos» perde a maior parte das pessoas que estavam prontas a reservar. Para competir com a plataforma, o site tem de fazer o que ela faz:

  1. Mostrar a disponibilidade. Um calendário ligado aos das plataformas. A sincronização entre calendários não é instantânea, e por isso convém confirmar cada reserva direta antes de a aceitar ou usar um gestor de canais.
  2. Dar o preço total. Noites, limpeza, taxa turística onde existir, tudo antes de pedir dados. Um total que muda no último passo afasta quem lá chegou.
  3. Receber o pagamento. MB WAY e cartão cobrem quase toda a gente. As opções e o que custam estão em MB WAY, Multibanco e o seu site. Se o browser mostrar «Não seguro» junto ao site, veja o que é o SSL e como resolver.
  4. Dizer as condições. Cancelamento, hora de entrada e saída, animais, escritas na página e repetidas no email de confirmação.
  5. Cumprir as regras do AL. O site também é publicidade, e as regras da publicidade de um alojamento local aplicam-se-lhe. Explicámos quais em o que tem de estar no site de um AL.

Construímos uma demonstração com este percurso para um alojamento fictício de seis quartos no Douro: a Casa da Serra tem datas, quarto, total em tempo real e pagamento na própria página.

Há também o trabalho que a plataforma fazia sem dar por isso. Em Lisboa e no Porto, segundo a própria Airbnb, é ela que cobra a taxa turística em nome dos anfitriões. Numa reserva direta, cobrá-la e entregá-la ao município passa a ser consigo, tal como emitir a fatura do valor total.

E num restaurante?

No restaurante as contas são por pessoa e não por noite, mas o raciocínio é o mesmo. Se usa o TheFork, a pergunta a fazer não é «saio ou não saio», é «por onde estão a chegar as reservas».

Segundo o TheFork Manager, as reservas feitas através do módulo deles no seu site e nas suas redes sociais não pagam comissão. Vale a pena verificar se não está a acontecer o contrário: o botão «Reservar» do Instagram a apontar para a página do restaurante no TheFork, o site sem botão nenhum, e o cliente habitual que reserva todas as semanas a fazê-lo pela aplicação. Cada uma dessas reservas pode pagar comissão sem precisar.

O que fazer, por ordem:

  1. Pôr o módulo de reservas no site, à vista, na primeira página, e não só numa página de contactos.
  2. Apontar o botão do Instagram e do Facebook para o site, e não para a página do restaurante na plataforma.
  3. Confirmar para onde aponta a ligação de reservas do Perfil de Empresa no Google, que é por onde chega quem já sabe onde quer ir.
  4. Ver no painel de onde vêm as reservas, mês a mês, e perceber se a parte que paga comissão está a descer.

Para ver como fica uma página de reservas de mesa, fizemos uma demonstração para um restaurante fictício em Lisboa, o Meridian, com reserva na própria página e as condições de cancelamento escritas no formulário.

Quando não vale a pena

Um alojamento novo, sem avaliações, depende das plataformas para ser descoberto, e um site não muda isso no primeiro ano. Um restaurante que enche sem o TheFork talvez não precise de nada disto. E um site que ninguém encontra não traz reservas diretas, por muito bom que seja o motor de reservas.

A regra prática: se já há pessoas a procurar o seu nome, o site serve para que essas pessoas reservem consigo. Se ainda não há, o trabalho é outro, e começa pelo perfil no Google e pelas avaliações.

Se tem um alojamento ou um restaurante e quer saber se o seu site está a deixar reservas na plataforma, mande-nos o endereço. Respondemos por escrito com o que mudávamos primeiro.

Pedir a análise gratuita

Sobre os pagamentos, leia MB WAY, Multibanco e o seu site; sobre as regras do alojamento local, o que tem de estar no site; e sobre o que custa um site, quanto custa um site em 2026.

Fontes oficiais

Os textos oficiais por trás dos pontos acima: