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Marcações online: Fresha, Booksy ou o próprio site?

A comissão só aparece quando o cliente novo chega pelo marketplace. O que a Fresha e o Booksy cobram, as contas para um salão de duas pessoas, e o papel do site.

Quem procura um sistema de marcações online para um cabeleireiro, uma barbearia, um centro de estética ou uma clínica acaba quase sempre a comparar a Fresha com o Booksy, como se a escolha fosse entre uma das duas e o próprio site. Não é. A pergunta que muda as contas é outra: por onde chegam os clientes que marcam, e quanto lhe custa cada caminho.

O que custam a Fresha e o Booksy

Os dois sistemas cobram uma mensalidade pela agenda e cobram à parte por aquilo que os clientes pagam através deles. Os números abaixo foram consultados em outubro de 2026.

O Booksy publica na sua página portuguesa um custo base de 29,99 € por mês, mais 8,00 € por mês por cada funcionário adicional, para os primeiros nove; a partir daí não há custo extra. A página não diz se os valores incluem IVA, e convém perguntar antes de assinar.

A Fresha mostra os preços na moeda do país de quem visita a página, por isso não os reproduzimos: abra fresha.com/pricing a partir de Portugal e veja o que lhe aparece. A estrutura, essa, é pública. Há um plano para quem trabalha sozinho, um plano por membro da equipa que recebe marcações, taxas por cada pagamento com cartão processado pela plataforma, e um período experimental de sete dias. Não encontrámos plano gratuito na página de preços.

Há também a Treatwell, com versão portuguesa, sobretudo para cabeleireiros e estética. Não publica as condições para os salões na mesma página, por isso não a comparamos aqui.

Onde está a comissão, e onde não está

A parte mais mal compreendida destas plataformas é a comissão. Muitos donos de salões acham que pagam uma percentagem de todas as marcações online. Não pagam.

  • Fresha

    Fresha cobra uma comissão única de 20% sobre a primeira marcação de um cliente novo que descobriu o negócio através do marketplace da Fresha, com um valor mínimo por cliente. A página de preços diz por escrito que não há comissão para clientes que voltam, nem para clientes novos que o encontram pelo seu site, pelo Instagram ou pelo Facebook.

  • Booksy

    Booksy só cobra comissão com o Boost ligado, a ferramenta que o põe em destaque no marketplace. A página portuguesa não publica a percentagem; as páginas do Booksy para o Reino Unido e para Espanha indicam 30% do valor da primeira visita de cada cliente novo. As marcações vindas do botão do Instagram e do Facebook, do Google, da sua ligação pessoal e de códigos QR não pagam comissão, segundo a página do Reino Unido.

A consequência prática é esta: a mesma ferramenta pode custar-lhe só a mensalidade ou a mensalidade mais uma comissão por cliente novo, consoante o caminho por onde os clientes chegam. E esse caminho decide-se, em boa parte, pelo que o seu site, o seu perfil no Google e o seu Instagram mostram primeiro.

As contas para um salão com duas pessoas

Um exemplo, com números redondos para a conta se ler. Um salão com duas pessoas que recebem marcações usa o Booksy: 29,99 € de base mais 8,00 € pelo segundo funcionário dá 37,99 € por mês, antes de qualquer IVA que se aplique.

Num mês, entram dez clientes novos. Cada um marca um corte e brushing de 35 €.

  1. Se os dez chegaram pelo marketplace com o Boost ligado, e a percentagem for a mesma que o Booksy publica noutros países, paga 30% de 35 €, 10,50 € por cliente, 105 € nesse mês, além da mensalidade.
  2. Se chegaram pela ligação de marcação no seu site ou no seu perfil do Google, paga 0 € de comissão. A mensalidade é a mesma.
  3. Na Fresha, os mesmos dez clientes vindos do marketplace custariam 20% de 35 €, 7 € cada, 70 € no mês, além da subscrição.

Nenhum destes números diz que o marketplace é mau negócio. Um cliente novo que volta todos os meses durante dois anos vale muito mais do que 7 € ou 10,50 €. O que os números dizem é que a comissão é o preço de um cliente que não o teria encontrado de outra forma. Se o cliente já o tinha encontrado no Google e só usou o marketplace para marcar, está a pagar por um cliente que já era seu.

O que perde quando a marcação vive só na plataforma

A plataforma não é só uma agenda. É também uma montra que pertence a outra empresa, e isso tem consequências que não aparecem na fatura.

  • As avaliações que os clientes deixam no marketplace ficam no marketplace. Não aparecem no seu perfil do Google e não as leva consigo se mudar de sistema.
  • A sua página no marketplace está lado a lado com a concorrência da mesma rua, e é a plataforma que decide a ordem.
  • As regras mudam por decisão de outra empresa. A Fresha já teve um plano gratuito e hoje não tem: as condições que assinou não são as condições para sempre.
  • A lista de clientes, com contactos e histórico, está no sistema. Antes de assinar, confirme por escrito que a pode exportar, em que formato, e o que acontece aos dados se cancelar.

Esta última é também uma questão de RGPD. A plataforma trata os dados dos seus clientes por sua conta, e o responsável por eles perante os clientes continua a ser o salão. Numa clínica, onde a marcação pode revelar informação de saúde, a pergunta pesa mais. Explicamos o que uma pequena empresa tem de ter em RGPD no site.

O site faz marcações sozinho?

Pode fazer, com um sistema de marcações instalado no próprio site. Faz sentido em poucos casos: quando a agenda tem regras que as plataformas de beleza não cobrem, como uma clínica com vários especialistas e atos com durações muito diferentes, ou quando o negócio já é procurado pelo nome e não precisa de marketplace nenhum.

Para a maior parte dos salões, a resposta mais barata é outra: usar a agenda da Fresha ou do Booksy, que já existe e já funciona no telemóvel, e pôr a ligação de marcação no site, em vez de construir uma agenda nova. Fizemos uma demo de uma clínica dentária, a Northgate Dental, onde marcar consulta leva quatro passos: tratamento, profissional, hora e dados. É esse o padrão a exigir a qualquer sistema, seja de quem for.

O site faz o resto, que nenhuma plataforma faz por si: explica cada serviço com o preço e a duração, mostra o trabalho, responde às perguntas que lhe fazem ao telefone, e aparece no Google quando alguém procura o seu serviço na sua zona.

Como ligar a agenda ao site e ao Google

O objetivo é que o cliente que já o encontrou marque pelo caminho que não paga comissão. Na prática:

  1. Copie a sua ligação de marcação. As duas plataformas dão uma ligação direta para a sua agenda. É essa que usa em todo o lado.
  2. Ponha-a no topo do site. Um botão «Marcar» visível sem deslizar, no telemóvel, e repetido em cada página de serviço. Não enterre a marcação numa página de contactos.
  3. Ligue-a ao perfil do Google. No Perfil de Empresa, em «Agendamentos», o Google mostra os parceiros de marcação disponíveis no seu país. Também pode pôr a sua própria ligação. A ajuda do Google avisa que as marcações feitas através do Google podem ser cobradas pelo fornecedor: pergunte ao seu.
  4. Ponha-a no Instagram. Na biografia e no botão de marcação do perfil.
  5. Desligue o que não usa. Se tem o Boost ou outro destaque pago e quase todos os clientes novos já chegam pelo Google, experimente desligá-lo um mês e compare.

Se ainda não tem o perfil do Google em ordem, comece por como aparecer no Google Maps. E se quer que os clientes também falem consigo antes de marcar, a ligação do WhatsApp Business ao site é a outra porta que convém ter.

Faltas, sinais e cancelamentos

Uma vantagem real destes sistemas é tratar das faltas: lembretes automáticos, política de cancelamento e, em alguns casos, um sinal pago no ato da marcação. Mas a regra é sua, não da ferramenta. Antes de ligar um sinal obrigatório, escreva a política em duas frases e ponha-a no site, junto ao botão de marcar: quanto tempo antes pode o cliente cancelar sem custo, e o que acontece ao sinal se não aparecer. Um cliente que leu a regra antes de marcar discute-a muito menos do que um que a descobre na fatura.

O que escolher

  • Trabalha sozinho e a agenda ainda tem buracos O marketplace pode trazer clientes que não chegariam de outra forma, e a comissão só se paga uma vez por cliente. Ligue-o, e meça quantos desses clientes voltam.
  • A agenda está cheia e os clientes chegam pelo nome Mantenha a ferramenta pela agenda e pelos lembretes, desligue os destaques pagos, e faça do site e do Google o caminho principal.
  • Clínica ou serviço com regras próprias Compare também os sistemas de marcação para saúde, pense nos dados de saúde antes da conveniência, e exija a exportação dos dados por escrito.

Em qualquer dos casos, o site não compete com a Fresha nem com o Booksy. É o sítio onde o cliente decide que é consigo que quer marcar, e a ligação para a agenda deve estar lá, a um toque.

Se quer saber por onde estão a chegar as suas marcações, e se o seu site está a mandá-las pelo caminho que paga comissão, peça uma análise gratuita. Respondemos com o que mudaríamos, sem compromisso.

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Para ler a seguir: reservas diretas sem comissões, a mesma conta feita para o alojamento local e para restaurantes, e preciso de um site se já tenho Instagram e Facebook?.

Fontes oficiais

Os textos oficiais por trás dos pontos acima: