Um site de uma pequena empresa vive das fotografias do trabalho: a cozinha montada, o bolo de aniversário, o telhado acabado, o corte de cabelo. Quase todas são tiradas com o telemóvel, à pressa, no fim do dia. Este artigo explica como fotografar o seu trabalho com o telemóvel para o site, sem equipamento extra, e como levar essas fotografias para o site e para o Google sem as estragar pelo caminho.
Antes de fotografar: lente e luz
Limpe a lente. O telemóvel anda no bolso, na carrinha, na bancada. Uma dedada na lente dá aquela névoa clara que nenhuma edição corrige. Uma passagem com um pano de microfibra, ou com a ponta da t-shirt, antes de cada sessão.
Prefira luz natural. Para um interior, abra as cortinas, apague as luzes de teto se tiverem cores diferentes da luz do dia, e fotografe com a janela de lado ou atrás de si, nunca à sua frente. No exterior, um dia encoberto é melhor do que sol do meio-dia, que faz sombras duras e queima as superfícies claras. Evite o flash do telemóvel: achata tudo e reflete em azulejos, vidro e inox.
Arrume o enquadramento. Baldes, cabos, embalagens, a escada, o casaco na cadeira. O cliente que vê a fotografia não sabe que aquilo vai sair amanhã. Dois minutos a tirar coisas do enquadramento valem mais do que meia hora de edição.
Como enquadrar
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Horizontal
Horizontal é o formato do site. As fotografias de topo e as galerias são quase sempre mais largas do que altas. Uma fotografia vertical num espaço horizontal é cortada, e quase sempre no sítio errado.
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Vertical
Vertical é o formato das histórias no Instagram e do ecrã do telemóvel. Se fotografa para os dois, tire as duas, em vez de cortar uma da outra.
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A lente normal
A lente normal do telemóvel, a de 1x, é a que tem melhor qualidade. O zoom digital é um recorte ampliado. Se precisa de mais perto, aproxime-se. Se o espaço é pequeno, a lente grande angular, de 0,5x, ajuda, mas encurva as linhas junto às margens.
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A grelha
A grelha do ecrã, que se liga nas definições da câmara, ajuda a manter as linhas direitas. Uma bancada ou uma parede tortas na fotografia parecem mal feitas na vida real.
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A altura
A altura a que fotografa muda o resultado. Uma cozinha fotografada à altura do peito, e não de cima para baixo, parece-se com o que o cliente vê quando entra.
Tire várias fotografias de cada coisa. O telemóvel guarda centenas, e escolher a melhor de cinco dá menos trabalho do que acertar à primeira.
Antes e depois, do mesmo sítio
O antes e depois é o formato mais convincente que um negócio de obras, limpezas ou estética tem. E é o que mais vezes se estraga, porque a fotografia do antes foi tirada de qualquer maneira, num dia em que ninguém pensava no site.
- Certo as duas fotografias tiradas do mesmo ponto, à mesma altura, com a mesma lente e a uma hora do dia parecida, para que a única diferença seja o trabalho.
- Errado o antes ao fim da tarde, de perto e torto, e o depois ao meio-dia, de longe e em grande angular. O cliente vê duas fotografias diferentes e não sabe o que mudou.
Um truque que funciona: no dia do antes, marque no chão, com fita-cola, o sítio onde está, e tire uma fotografia desse sítio. No dia do depois, volte à marca.
Uma lista de fotografias por trabalho
Antes de arrumar as ferramentas, tire estas, e terá material para o site, para o Google e para as redes durante semanas:
- O resultado completo, de longe, na horizontal.
- O mesmo, na vertical.
- Dois ou três pormenores de perto: um remate, uma junta, um acabamento.
- O antes, se ainda não o tiver.
- O processo, a meio: as mãos a trabalhar, as ferramentas, sem caras.
- Um elemento que diga onde foi, sem mostrar a morada: a vista da janela, a calçada, a fachada de longe.
Pessoas, casas de clientes e localização
Fotografar o trabalho em casa de um cliente é fotografar a casa de alguém, e fotografar pessoas é fotografar alguém. As duas coisas pedem cuidado.
Caras. O artigo 79.º do Código Civil diz que o retrato de uma pessoa não pode ser exposto, reproduzido ou lançado no comércio sem o seu consentimento. As exceções da lei são pensadas para pessoas conhecidas, lugares públicos e factos de interesse público, e raramente cobrem um site de empresa. E uma fotografia em que alguém é identificável é também um dado pessoal para o RGPD. A regra prática: sem autorização, sem cara. Isto vale para clientes, para quem passa e para os seus funcionários.
Casas. Peça autorização ao cliente antes de publicar fotografias da casa dele, por escrito, mesmo que seja numa mensagem: «Posso pôr fotografias da cozinha no site, sem a morada?». Antes de publicar, olhe para os cantos: o número da porta, a matrícula do carro na garagem, as fotografias de família na parede, o correio em cima da mesa.
Localização escondida. O telemóvel pode gravar dentro de cada fotografia o sítio onde foi tirada. Se a enviar como ficheiro, quem a receber pode ver a morada do cliente. No iPhone, a ajuda da Apple explica que, ao partilhar, se toca em «Opções» e se desliga a localização antes de enviar. No Android, o mais seguro é desligar a gravação da localização nas definições da aplicação da câmara, cujo nome varia de marca para marca. Se não sabe, peça a quem lhe faz o site que retire os dados da fotografia antes de a publicar.
Do telemóvel para o site
Uma fotografia de um telemóvel recente tem vários milhares de píxeis de largura e vários megabytes. Uma página com dez dessas demora a abrir num telemóvel na rua, e é das primeiras coisas a procurar num site lento. Escrevemos sobre como se mede isso em como medir a velocidade do site.
- Envie as originais a quem faz o site. Por um serviço de partilha de ficheiros ou por cabo, não pelo WhatsApp, que por omissão comprime as fotografias pelo caminho.
- Reduza para o tamanho em que vão ser mostradas. Uma fotografia que ocupa a largura de um ecrã de computador não precisa de mais do que cerca de 2000 píxeis de largura. Uma miniatura numa galeria precisa de muito menos.
- Use um formato moderno. WebP ou AVIF costumam pesar bastante menos do que o JPEG original, com a mesma qualidade aparente.
- Dê-lhes nomes que dizem o que são. cozinha-carvalho-matosinhos.jpg diz mais ao Google do que IMG_4821.jpg.
- Escreva o texto alternativo. Uma frase que descreve a fotografia para quem não a vê: «Cozinha em carvalho com bancada de pedra branca, depois da obra.» É uma questão de acessibilidade, e sobre isso há a lei da acessibilidade digital.
Para ver um site em que as fotografias são o argumento, abra a demonstração do Forma Atelier, um atelier de arquitetura fictício que construímos para isso: o desenho do site sai da frente e deixa as imagens falar. Funciona porque as fotografias aguentam o tamanho grande. É o teste a fazer às suas.
Para o Perfil de Empresa no Google
O Google aceita fotografias em JPG ou PNG, entre 10 KB e 5 MB, recomenda 720 por 720 píxeis e pede imagens bem iluminadas, focadas e sem alterações significativas nem excesso de filtros. Os vídeos podem ter até 30 segundos, até 75 MB, e resolução de 720p ou superior.
Na prática, as fotografias da lista acima servem, desde que fiquem abaixo dos 5 MB. Publique-as aos poucos, à medida que faz trabalhos, em vez de vinte num dia. Sobre o resto do perfil, veja como aparecer no Google Maps.
Não publique fotografias de bancos de imagens como se fossem trabalho seu. A lei das práticas comerciais desleais, o Decreto-Lei n.º 57/2008, proíbe práticas que induzam o consumidor em erro, e uma cozinha que não foi feita por si, apresentada como se fosse, é exatamente isso. O mesmo vale para fotografias «melhoradas» por inteligência artificial que mudam o resultado. Uma fotografia sua, honesta e bem tirada, vale mais do que uma perfeita e falsa.
Quantas fotografias precisa
Menos do que pensa, e mais recentes do que tem. Uma galeria com doze trabalhos bons, com legenda a dizer o que foi feito e onde, convence mais do que oitenta fotografias sem contexto. E o critério para tirar uma do site é este: se hoje faria aquele trabalho de outra maneira, a fotografia já não o representa.
Uma vez por mês, escolha as duas melhores fotografias do mês e mande-as para o site. É um hábito de cinco minutos, e é o que distingue um site que parece vivo de um que parou no dia em que foi entregue.
Se quiser saber se as fotografias do seu site estão a ajudar ou a atrapalhar, peça a análise gratuita. Respondemos por escrito em 24 horas com as três coisas que mudávamos.
Se ainda está a decidir onde publicar o trabalho, leia preciso de um site se já tenho Instagram e Facebook?. E, sobre o que um formulário e uma galeria com pessoas pedem em termos de dados, RGPD no site: o que uma pequena empresa tem de ter.
Fontes oficiais
Os textos oficiais por trás dos pontos acima: