Quem testa a velocidade do site pela primeira vez cola o endereço no PageSpeed Insights, recebe uma nota de 0 a 100 a vermelho ou laranja e fica sem saber se aquilo é grave. A nota é a parte menos útil do relatório. Este artigo explica como medir a velocidade do site, que números contam de facto, e como decidir o que corrigir primeiro.
Onde se mede a velocidade de um site
Há três sítios que valem a pena, e são todos gratuitos.
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PageSpeed Insights
PageSpeed Insights é a ferramenta do Google em pagespeed.web.dev. Cola o endereço de uma página e recebe dois blocos de resultados, um para telemóvel e outro para computador. É o ponto de partida.
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Search Console
Search Console tem um relatório Core Web Vitals que agrupa as páginas do site em boas, a melhorar e más, com os mesmos limites. Só funciona se o site estiver ligado à Search Console e tiver visitas suficientes.
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O seu telemóvel
O seu telemóvel, com o Wi-Fi desligado. Não dá números de laboratório, mas mostra o que um cliente vê, e é o teste que menos gente faz.
Ferramentas de terceiros, como o GTmetrix ou o WebPageTest, dão mais detalhe técnico. Para decidir se o site tem um problema, o PageSpeed Insights chega.
Dados reais e dados de laboratório
O relatório do PageSpeed Insights tem dois blocos que medem coisas diferentes, e confundi-los é o erro mais comum.
O bloco de cima são visitantes reais. Vem do relatório de experiência dos utilizadores do Chrome, o CrUX, e resume as visitas feitas com o Chrome nos 28 dias anteriores. Segundo a documentação do Google, quando uma página não tem dados suficientes, a ferramenta mostra os do site inteiro; quando nem o site tem, este bloco não aparece. Num site com poucas visitas por mês, é frequente não haver dados reais nenhuns.
O bloco de baixo é uma simulação. O Lighthouse carrega a página uma vez, num centro de dados do Google, a fazer de conta que é um telemóvel de gama média numa rede móvel. É útil para encontrar problemas, porque diz qual é a imagem mais pesada ou o script que atrasa tudo. Mas é um único carregamento, em condições inventadas, e por isso o número muda um pouco de cada vez que se repete o teste.
A regra para ler os dois: se há dados reais, são esses que dizem se o site é rápido. A simulação diz onde procurar.
Os três números que contam
O Google chama-lhes Core Web Vitals. Os limites abaixo são os publicados na documentação do PageSpeed Insights, consultada em outubro de 2026.
| Métrica | O que mede | Bom | Mau |
|---|---|---|---|
| LCP | Quanto tempo até aparecer o maior elemento visível, quase sempre a fotografia ou o título do topo | Até 2,5 s | Acima de 4 s |
| INP | Quanto tempo a página demora a reagir quando alguém toca num botão ou num menu | Até 200 ms | Acima de 500 ms |
| CLS | Quanto a página salta enquanto carrega, por exemplo quando uma imagem empurra o texto para baixo | Até 0,1 | Acima de 0,25 |
Entre o bom e o mau fica a zona «a melhorar». Um pormenor que muda a leitura: o Google avalia cada métrica no percentil 75, ou seja, a página passa se pelo menos três em cada quatro visitas ficarem dentro do limite. Não chega que o site seja rápido no seu telemóvel novo; tem de ser rápido no telemóvel mais lento de um cliente.
O relatório mostra ainda outras métricas, como o tempo até ao primeiro conteúdo ou o tempo de resposta do servidor. Ajudam a diagnosticar, mas não são as três que o Google usa.
E a nota de 0 a 100?
A nota resume o teste de laboratório. Segundo o Google, 90 ou mais é bom, de 50 a 89 precisa de melhorias, e abaixo de 50 é mau. É calculada a partir de um único carregamento simulado, por isso pode descer cinco ou dez pontos de um teste para o seguinte sem que nada tenha mudado no site.
Há três coisas a saber antes de deixar que a nota o preocupe. Não é o que aparece no relatório Core Web Vitals da Search Console, que usa visitantes reais. Não é uma das três métricas que o Google diz usar. E perseguir os 100 num site de cinco páginas costuma custar mais horas do que vale: um site com as três métricas reais no verde e uma nota de 78 está melhor do que um com 95 no laboratório e visitantes reais à espera.
Não avalie uma alteração com um único teste. Corra o PageSpeed Insights três vezes antes e três vezes depois da mudança e compare os valores do meio. Os dados reais demoram até 28 dias a refletir uma correção, porque são uma média desse período.
A velocidade conta para o Google?
Conta, com limites. A página do Google sobre experiência de página diz que as Core Web Vitals são usadas pelos seus sistemas de classificação. Diz também que bons resultados não asseguram o topo, e que o Google procura mostrar sempre o conteúdo mais relevante, mesmo quando a experiência de página é fraca.
Em português corrente: um site lento com a resposta certa pode ficar à frente de um site rápido que não responde ao que foi pesquisado. A velocidade pesa sobretudo quando há várias páginas igualmente úteis a competir, que é exatamente o caso de dez canalizadores na mesma cidade. Sobre o resto do que decide quem aparece nas pesquisas locais, escrevemos SEO local: como aparecer quando procuram «perto de mim».
E há a parte que não depende do Google: quem toca num resultado e fica a olhar para um ecrã branco volta atrás e toca no seguinte.
Um exemplo: como ler um relatório
Um caso ilustrativo, com números inventados mas típicos de um site pequeno feito num construtor. O separador do telemóvel mostra nota 54, sem dados reais, e no laboratório um LCP de 5,8 s, um CLS de 0,02 e um tempo de bloqueio baixo.
- Veja se há dados reais. Não há, por isso a simulação é tudo o que existe. Fica a saber que o site tem poucas visitas, o que por si só já é informação.
- Encontre a métrica pior. O CLS e a reatividade estão bem. O LCP está mais do dobro acima do limite. É esse o problema, e é um só.
- Descubra qual é o elemento do LCP. Na secção de diagnóstico, o relatório identifica o elemento que conta para o LCP. Neste caso, a fotografia de fundo do topo da página.
- Veja quanto pesa. A lista de recursos mostra que a fotografia tem vários megabytes e 4000 píxeis de largura, porque foi carregada tal como saiu da câmara, para ser mostrada num ecrã de telemóvel.
- Corrija isso e só isso. Reduzir a fotografia para o tamanho em que é de facto mostrada e guardá-la num formato moderno, como WebP, costuma ser meia hora de trabalho. Depois, três testes, e comparar.
A lição do exemplo é a ordem: primeiro a métrica, depois o elemento, depois a causa. Instalar um plugin de otimização antes de saber qual é o problema é mexer em tudo menos no que está mal.
Para ver o tipo de página em que isto pesa mais, abra a demonstração do Forma Atelier, um atelier de arquitetura fictício que construímos em que as fotografias são o conteúdo inteiro. Numa página assim, o tamanho de cada imagem decide o LCP.
O que costuma tornar lento um site pequeno
Num site de uma pequena empresa, as causas repetem-se. Estas são as primeiras a procurar:
- Fotografias carregadas tal como saíram do telemóvel ou da câmara.
- Um carrossel de imagens no topo, que carrega cinco fotografias para mostrar uma.
- Um vídeo de fundo a tocar em automático.
- Janelas de conversa, mapas e botões de redes sociais que carregam código de outras empresas antes do conteúdo.
- Plugins acumulados ao longo de anos, num site WordPress que ninguém revê.
- Alojamento barato que demora a responder antes de enviar o primeiro byte.
O mapa do Google é um caso à parte: um mapa embebido costuma ser pesado, e muitas vezes um link «Ver no mapa» para o seu perfil no Google faz o mesmo serviço sem esse peso. Sobre o perfil, veja como aparecer no Google Maps.
O teste que não precisa de ferramenta nenhuma
Faça isto uma vez por trimestre, com o telemóvel e um cronómetro:
- Desligue o Wi-Fi. Use os dados móveis, como os seus clientes na rua.
- Abra uma janela privada. Assim o browser não usa uma cópia guardada do site.
- Pesquise o nome da empresa no Google e toque no resultado, em vez de escrever o endereço.
- Cronometre até conseguir ligar. O teste não é quando a página acaba de carregar, é quando o número de telefone ou o botão de contacto aparece e responde ao toque.
Se demorar mais de três ou quatro segundos num sítio com boa rede, há trabalho a fazer, tenha a nota que tiver. E repita o teste numa zona onde a rede é fraca, porque é aí que estão alguns dos seus clientes.
Se quiser que alguém olhe para o relatório do seu site consigo, a análise gratuita responde por escrito em 24 horas com as três coisas que mudávamos, e a velocidade costuma estar entre elas quando é o problema.
Se a lentidão vem do alojamento, quanto custa um site para uma pequena empresa explica o que se paga todos os anos e o que perguntar. E, se tem um restaurante, veja também o que um site de restaurante precisa.
Fontes oficiais
As páginas do próprio Google sobre os pontos acima: