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Faturas de domínio falsas e chamadas «do Google»

Faturas de renovação que não são do seu domínio, chamadas «do Google» sobre o perfil no Maps e IBAN trocados: como se reconhecem, e o que fazer se já pagou.

As burlas que chegam a uma pequena empresa raramente parecem burlas. Parecem uma fatura de renovação do domínio, um telefonema «do Google» sobre o perfil no Maps, ou um aviso de que alguém na Ásia quer registar o nome da sua marca. Todas usam a mesma alavanca: um prazo curto e um assunto que o dono do negócio não domina. Este artigo descreve as mais comuns, como se reconhecem, e o que fazer se já pagou.

A fatura de renovação que não é do seu domínio

É a mais antiga e continua a funcionar. Chega um email, ou uma carta, com o nome do seu domínio, um número de fatura, um valor e um aviso: se não renovar nos próximos dias, o site e o correio eletrónico deixam de funcionar.

Em junho de 2026, a Malwarebytes descreveu uma campanha deste tipo com duas versões. A tosca chegava em nome de uma «Domain Services Inc.». A cuidada usava uma marca inventada, uma morada em Londres e uma página que fingia consultar o registo do domínio, mostrava uma data de expiração e oferecia a renovação por 2 € com contagem decrescente de quinze minutos. Os emails saíam de uma conta Gmail comum. O botão de renovar não renovava nada; servia para recolher nome, morada, telefone e dados do cartão.

Há uma variante que nem sempre é ilegal, mas engana na mesma: a carta que não é uma fatura, mas uma proposta para transferir o domínio para outra empresa, redigida de forma a parecer uma renovação. Quem paga, muda de fornecedor sem perceber, e passa a pagar mais.

A regra para as duas é a mesma. Para domínios .pt, a Associação DNS.PT, que gere o .pt, avisou os titulares de que recebiam emails de entidades sem qualquer relação com ela, e lembrou que tudo o que diz respeito a um domínio .pt se trata diretamente com o .PT ou com o registrar acreditado. Se não sabe qual é o seu registrar, procure a última renovação que pagou de facto, ou consulte o WHOIS no site pt.pt. Escrevemos sobre quem é quem no registo em como registar um domínio .pt.

«Alguém quer registar o seu nome na China»

O email vem de uma suposta empresa de registo na Ásia. Diz que um cliente pediu para registar o nome da sua marca com várias terminações, .cn, .asia, .com.cn, e que, por cortesia, estão a dar-lhe prioridade antes de aprovar o pedido. Pedem-lhe que responda depressa e compre os domínios primeiro.

Não há cliente nenhum. Um registrar não suspende o pedido de um cliente para avisar uma empresa estrangeira com um nome parecido. O objetivo é vender-lhe domínios de que não precisa, a um preço muito acima do normal.

Houve uma versão feita à medida de Portugal. Em 2018, o Pplware noticiou emails enviados a titulares de domínios .pt por uma entidade que usava o nome de uma empresa portuguesa legítima, a dizer que os domínios .info e .eu equivalentes tinham sido pedidos e que os devia comprar por 197,50 € por dez anos. A recomendação na altura foi ignorar a mensagem. Continua a ser.

A chamada «do Google»

O telefone toca e uma voz, por vezes gravada, diz que é do Google e que o perfil da sua empresa no Maps vai ser suspenso, ou que não está validado, ou que pode ficar em primeiro lugar por uma mensalidade.

A página de ajuda do Perfil de Empresa é direta sobre isto. O Google pode ligar a empresas para confirmar dados no Maps, como o horário ou os preços, mas diz que nunca pede informações de pagamento por telefone nem lhe assegura um lugar especial nos seus produtos, e que não lhe vai ser pedido que se inscreva num serviço, pague ou dê dados pessoais.

O que fazer, segundo a mesma página:

  1. Desligue. Não carregue em nenhuma tecla, mesmo que a gravação o mande fazê-lo.
  2. Peça um email. Quem trabalha no Google consegue enviar-lhe uma mensagem de um endereço @google.com. Uma empresa que diz trabalhar «para» o Google não consegue.
  3. Confirme no próprio perfil. Entre em business.google.com com a sua conta e veja se há algum aviso. Se o perfil estivesse em risco, é lá que estaria.
  4. Denuncie. O Google tem um formulário para queixas sobre chamadas em seu nome, ligado a partir da mesma página de ajuda.

O Perfil de Empresa é gratuito. Criá-lo, editá-lo e validá-lo não custa nada, e o Google diz, desde 2018, que não há forma de pedir ou pagar por uma melhor posição na pesquisa local. Uma agência pode cobrar pelo trabalho de tratar do perfil, o que é legítimo; não pode dizer que é o Google, e as regras do próprio Google proíbem-no. Veja como aparecer no Google Maps para fazer o perfil sem intermediários.

Avaliações de uma estrela e um pedido de dinheiro

Mais recente e mais desagradável: aparecem de repente várias avaliações de uma estrela no seu perfil, e a seguir chega uma mensagem, muitas vezes por WhatsApp, a oferecer a remoção a troco de dinheiro.

O Google tem um formulário próprio para isto, separado da denúncia normal de avaliações, e a orientação é não pagar nem negociar: pagar não assegura que as avaliações saiam e convida a uma segunda tentativa. Antes de denunciar, guarde capturas de ecrã das mensagens, com data, hora e o contacto de quem as enviou, e as ligações para cada avaliação. Sobre avaliações em geral, escrevemos como pedir avaliações no Google, e responder às más.

A fatura do fornecedor com um IBAN novo

Esta não tem nada a ver com o site, e é a que mais dinheiro custa. Um fornecedor habitual envia um email a dizer que mudou de banco e que as próximas faturas devem ser pagas para um IBAN novo. O email parece verdadeiro porque, muitas vezes, vem da conta real do fornecedor, que foi acedida por outra pessoa, ou de um endereço com uma letra trocada.

A Caixa Geral de Depósitos descreve o esquema e os sinais: um pedido de mudança de IBAN, um pedido para pagar outra vez uma fatura «que falhou», ou um IBAN de um país ou banco que não bate com os pagamentos anteriores. A recomendação é confirmar a mudança com o fornecedor por outro meio que não os contactos da mensagem que a pede.

Uma mudança de IBAN confirma-se por telefone, para o número que já tinha. Nunca para o número que vem no email a anunciar a mudança, e nunca respondendo a esse email. É a única regra deste artigo que, se for seguida sempre, impede a burla mais cara de todas.

Cartas que parecem oficiais

Quem regista uma marca no INPI fica com o nome, o logótipo e a morada publicados no Boletim da Propriedade Industrial, e isso atrai correio. Há relatos, incluindo queixas no portal da DECO PROTESTE, de cartas com títulos como «vigilância de logótipo», com a referência do pedido e a imagem do logótipo, a pedir pagamentos de várias centenas de euros. Têm aspeto de documento oficial e não são do INPI. O INPI tem no seu site um aviso sobre pedidos de pagamento fraudulentos feitos em seu nome.

O teste é perguntar quem emitiu a carta. Se não é a entidade com quem fez o pedido, não é uma taxa, é uma proposta comercial, por muito que se pareça com uma notificação.

Quatro perguntas antes de pagar qualquer coisa

  • Conheço quem me está a cobrar, e já lhe paguei antes por este mesmo serviço?
  • O valor e a data batem com o que vejo no painel do fornecedor, aberto por mim e não pela ligação da mensagem?
  • O endereço de quem enviou é do domínio da empresa, ou é um Gmail, um Outlook ou um nome com uma letra a mais?
  • Há um prazo de horas ou de dias, ou uma ameaça de que tudo deixa de funcionar?

Uma resposta errada não prova que é burla. Duas já pedem um telefonema antes de pagar.

Se já pagou

  1. Ligue ao banco no mesmo dia. Quanto mais cedo, maior a hipótese de a transferência ou o pagamento com cartão ainda poder ser travado. Se deu os dados do cartão, peça o cancelamento.
  2. Guarde tudo. Emails com os cabeçalhos, faturas, números de telefone, capturas de ecrã, comprovativos de pagamento.
  3. Apresente queixa. A burla pode ser denunciada na esquadra da PSP ou no posto da GNR, ou através do sistema Queixa Eletrónica do Ministério da Administração Interna, em queixaselectronicas.mai.gov.pt. Os crimes informáticos são investigados pela Polícia Judiciária.
  4. Mude as palavras-passe. Se escreveu a palavra-passe do email ou do registrar numa página falsa, mude-a e ligue a verificação em dois passos.
  5. Avise quem possa ser o próximo. Um fornecedor cuja conta de email foi acedida está a enviar a mesma fatura a outros clientes.

Depois de uma tentativa destas, conte com mais. Quem deixou dados numa página falsa costuma receber novos contactos, por telefone ou email, de supostas entidades que «recuperam» o dinheiro perdido. Também são burla.

Se não tem a certeza de em nome de quem está o seu domínio ou o seu perfil no Google, comece por aí. E, se quiser uma segunda opinião sobre o seu site, a análise gratuita responde por escrito em 24 horas, sem chamada e sem proposta atrás.

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Para pôr a casa em ordem antes da próxima tentativa, leia como registar um domínio .pt, sobre titular e entidade gestora, e 10 perguntas a fazer antes de contratar quem faz o seu site, sobre de quem fica o domínio.

Fontes oficiais

Os textos oficiais por trás dos pontos acima: